Psiconeuroimunologia clínica (PNIc) - A inflexão entre o passado e o futuro da saúde

Descortinar o Passado e Moldar o Futuro dos Cuidados de Saúde

As dúvidas sobre o que faz um especialista nesta área começam na dificuldade em pronunciar o nome. Por isso mesmo reduzimos a designação para PNIc.

A Exploração da Psiconeuroimunologia Clínica: Compreender a Interligação Complexa entre o Psicológico, o Neurológico e o Imunológico

Numa era em que as especialidades, áreas e conceitos de saúde se propagam como cogumelos, é legítimo que cada vez que nos deparamos com um nome novo e quase ininteligível existam emoções que nos possam fazer dar um passo atrás. E tem mesmo de ser assim. E também é sobre isso que tratamos em PNIc.

Sobre a perceção humana, ligada às nossas emoções e pensamentos, que se conjugam com o nosso estilo de vida. Sobre as pessoas com quem nos rodeamos, as crenças limitantes e muitos outros “afins” que fazem jus ao nome complexo que define esta área fantástica. O nome tem de ser complexo, porque a saúde humana, por mais que a queiramos simplificar, também ela é, extraordinariamente complexa. Complexa no sentido de ser o fruto da interação de multissistemas - o psicológico (psico-) neurológico (-neuro-) e o imunológico (-imunologia). São muitos mais, mas imagine-se um nome em que ainda tivesse de ser integrado o conceito de endocrinologia e sociologia, por exemplo. É aqui que percebemos que afinal psiconeuroimunologia é só o nome em versão simplificada.

Origens e Evolução da PNIc: Da Teoria à Prática na Saúde Humana

Nascida nos EUA, numa perspetiva exclusivamente teórica na década de 70, pela mão de um imunologista (Nicholas Cohen) e um psicólogo (Robert Adler), os primeiros estudos focaram-se em entender a simples interação entre o stress psicológico e a forma como este, através da indução à alteração de algumas hormonas, pode suprimir o sistema imunitário. Abre-se então a porta à perceção de que afinal existe uma ponte entre as emoções e a doença física.

Desde aí, o crescimento da área alarga os horizontes das pesquisas em saúde, para a ideia lógica e de senso comum, de que a saúde humana não é fruto da junção de diferentes frações mas de uma interação complexa e constante entre elas. Perder a consciência dessa ligação e interação é perder também a possibilidade de tratar um ser humano como um todo, e mais grave ainda, perder a possibilidade de guiar um paciente no caminho da sua cura.

Mais tarde, e já na década de 90, o investigador holandês Leo Priumboom, dá início ao caminho que acaba por culminar na psiconeuroimunologia clínica, ou seja, na aplicação clínica desta ciência à vida e à saúde das pessoas.

PNIc na Prática: Ultrapassar a Estagnação com uma Visão Multifatorial da Saúde

Alicerçada em conceitos base, como o de “medicina baseada no filme”, a PNIc ao invés de olhar para a doença como um momento estagnado no tempo, olha para a patologia humana como uma junção e acumulação de fatores de risco que se vão sucedendo, cuja consequência é o organismo ir tentando compensar através de chamados “mecanismos de ação”, enviando sinais (sintomas) que se não estivermos aptos para interpretar, ou tal como acontece frequentemente, os anularmos com fármacos, acaba por culminar numa doença grave. Isto deita também por terra o conceito de monocausalidade, ou seja, a associação de um problema / doença a uma causa única. Excluindo exceções raras, os problemas crónicos de saúde são sempre multifatoriais e multicausais. Resolver esses mesmos problemas, implica investigar quais são e como se foram instalando cronologicamente.

O fator disruptivo da PNIc está no pormenor de um especialista nesta área não estar comprometido nem programado para só procurar num campo concreto, como acontece nas especialidades médicas e técnicas com formação universitária no ocidente. Logicamente que a fisiologia (tudo o que é objetivo e mensurável e através de exames, análises, etc) tem relevância. Mas não mais nem menos que outros campos altamente importantes como o emocional (o que sentimos), o cognitivo (o que pensamos), o social (com quem nos relacionamos) e o sexual. Existem mais. Todos eles com o mesmo grau de importância. Até porque o mesmo diagnóstico médico pode ter origem em campos completamente distintos. Podemos usar como exemplo, uma das doenças da pandemia da nossa era, a depressão:

Pode ter origem no campo fisiológico - défice de sono conjugado com alterações nutricionais; no campo emocional - má gestão de emoções tóxicas por períodos longos de tempo ou um trauma anterior; social - contexto laboral agressivo e destrutivo.

Numa abordagem médica clássica, o paciente apresenta sintomas de depressão e será medicado de forma despersonalizada. Na PNIc investigamos e procuramos. Temos de saber o que sente, como dorme e o que come. Como foi o parto, se ama o que faz e se quer mesmo resolver o seu problema. Não perguntamos por perguntar. Perguntamos para conhecer.

Clinical Psychoneuroimmunology Conversation
Psiconeuroimunologia clínica (PNIc) - A inflexão entre o passado e o futuro da saúde

O Papel do Especialista em PNIc: Orientar e Apoiar na Trajetória da Saúde Integral

Quando as origens e fatores de risco estão clarificados, avançamos para um plano que é delineado em comunhão com o paciente. O especialista em PNIc é um guia e um suporte. A mudança depende exclusivamente do paciente. Por isso mesmo, é um processo a dois, que requer um elo de confiança e ligação. Não propomos soluções mágicas porque infelizmente, não existem. Propomos um caminho de autoconhecimento que inevitavelmente acaba na cura ou melhoria da condição de saúde.

No caminho de trabalho da PNIc, o próprio terapeuta também trabalha a sua cura e as suas feridas, porque na verdade estamos todos do mesmo lado da barricada.

A PNIc representa esta coerência e este amor, nos quais tem de assentar o futuro da saúde e dos profissionais que se dedicam a curar os outros.

<h2>Fisio S. Brás LDA</h2>

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